Ataques hutis fazem 73 feridos na Arábia Saudita
Uma série de ataques dos hutis do Iémen deixou 73 civis feridos no sudoeste da Arábia Saudita, anunciou hoje a coligação liderada por Riade, aliada do governo iemenita, que prometeu uma resposta contra o grupo rebelde pró-iraniano.
Os ataques visaram "alvos civis e económicos" nas cidades de Abha, Khamis Mushait, Jazan e Najran, escreveu na rede social X o porta-voz da coligação, general Turki Al-Maliki, que garantiu que serão tomadas "todas as medidas e ações necessárias para responder às fontes da ameaça e neutralizar o perigo que representam".
O meio de comunicação Ansarollah, próximo dos hutis, informou igualmente que os rebeldes tinham atacado, com drones e mísseis, o aeroporto internacional de Abha, a base aérea King Khalid e instalações da gigante petrolífera Aramco em Abha e Jizan.
Os hutis, que nos últimos dias conduziram uma ofensiva mortífera no Iémen, acusaram na segunda-feira a Arábia Saudita de ter bombardeado várias zonas do país, numa guerra que se intensifica.
Os ataques atingiram, nomeadamente, a prisão de al-Hazm, na província de Jawf, causando 11 mortos, informou à AFP um responsável provincial.
O Iémen, que voltou a mergulhar na guerra em julho, num contexto de agitação regional, foi palco na semana passada de uma nova ofensiva dos hutis com o objetivo, nomeadamente, de avançarem para as zonas na margem do estratégico Estreito de Bab el-Mandeb.
Estes confrontos com as forças pró-governamentais no sudoeste do Iémen causaram mais de 300 mortos desde quinta-feira, levando muitas famílias a abandonar as suas casas.
Bab el-Mandeb, que liga a Ásia à Europa através do Mar Vermelho e do Canal do Suez, ganhou importância fundamental desde o início da guerra no Médio Oriente e do bloqueio pelo Irão do Estreito de Ormuz, do outro lado da península.
O Iémen é o último país a ser arrastado para o conflito regional desencadeado pela ofensiva norte-americana e israelita contra o Irão no final de fevereiro.
O cessar-fogo em vigor desde 2022 foi quebrado em julho, quando os hutis desafiaram a hegemonia de Riade sobre o espaço aéreo iemenita.
Desde então, os rebeldes, apoiados pela República Islâmica do Irão, têm multiplicado os ataques contra instalações militares e zonas controladas pelo governo iemenita.
Os hutis anunciaram igualmente um bloqueio marítimo da Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo bruto, e tomar como alvos os petroleiros do país e infraestruturas no território saudita, nomeadamente uma refinaria.
A guerra no Iémen, que teve início em 2014, causou centenas de milhares de mortos e mergulhou o país, o mais pobre da Península Arábica, numa grave crise humanitária.